Monday, November 23, 2009

Amor Reencontrado

Quando o sonho adormece nas mãos
Cansadas de tanta distancia e frio
Cansadas de desejos serenos mas vãos
O amor erra p'lo becos como vadio.

Já nada espera no dia seguinte
Trajado a rigor com roupa puída
Anda pelas ruas como um pedinte
Desfazendo-se do que resta da vida.

Na vadiagem do sonho restam migalhas
Calejadas ambições, sofridos confins
Mendigando insistência e seus afins.

É já nas cinzas anuladas que cantas,
Acordas do precipício escolhido
O amor próprio nunca foi traído.


Soneto by António Casado &
Cina De Moura

Nossa Lua

Sou noite delirante neste lado do oceano,
Já a tua noite retrocede-se á minha.
Envolta num manto de orvalho
Voo pela a noite adentro.
Descubro que existe algo em comum,
Teu e meu...
A nossa “Lua.”

Dos meus cabelos faço-me estrela cadente
Viajo pela noite adentro.
Neste espaço solitário, só te tenho a ti, Ó Lua!
Onde sempre afagas o meu alento.
Por que sei que do outro lado do oceano tu tens a mesma Lua.

Que lua é essa que nos inspira?
Que lua é essa que nas asas de uma águia
Torna infinito o delírio do poema
Quando os uivos dos lobos ensurdecem a alma
De encantos e maravilhas grávida?
Que noiva? Que corcel? Que elegância
Deixa transparecer em cada raio
Como se o caudal da ternura cristalizasse
Nacos de beijos e flores de algodão?

Que astro domina o céu dos meus sentidos
Com a força dum estandarte erguido à ventura
E que transforma a descrença no mundo
Numa inabalável fé duradoira nos homens?

O pio de uma quimera feito pardal
Viaja por dentro da sensibilidade e da paz
Nesta noite profunda e expectante…
O lampião dos sorrisos embevece o olhar atento
Dos musgos que sobressaem da natureza
Por entre ramos de alecrim e azevinho…
É a lua que os ilumina!
É a lua que os fascina!
É a lua que veneram!

Como nós
Predadores da beleza
Que procuramos no umbigo do poema
A palavra
Com que derramaremos a nossa pena!


Dueto by Cina De Moura &
António Casado

Saturday, November 14, 2009

Living In The Shadows Within

Vivo dentro da escuridão dum pântano
Na sombra assombrosa das árvores fantasmagóricas,
Recolho minha historia nas folhas perdidas,
Que se encontram a meus pés desnudos.
Com as gotas das minhas restantes lágrimas
Poli-o folha a folha.
Desvendo as restantes letras, assim dispostas.
Tento dar-lhe um encaixo.
Faltam peças neste puzzle!
É por isso que sinto-me perdida.
Na minha própria sombra!

Fervilham no meu peito orquídeas vermelhas
Longe das rosas com espinhos que tanto adoro.

Em certas ocasiões transformo-me em tsunami,
Para depois converter-me em furacão,
Evacuando os demónios que me enclausuram a liberdade de ser eu.
Desaguando... Já queria eu!
Mas...
Nasce em mim um terramoto de pesadelos, quebrando-me em pedaços.
Entretanto, o silêncio é conta gotas.
Estou perdida na minha própria sombra!

Fervilham no meu peito orquídeas vermelhas
Longe das rosas com espinhos que tanto adoro.

Olho o horizonte lá ao longe
Não lhe posso tocar!
Imagino-me ser alvorada.
Ai, se gostava!
Para depois calmamente ser pôr-do-sol.
Brilhar nas águas do mar!
As feridas tocam-me para a realidade
Melancolicamente uma suave música de violino.
Entre as dores, sorrio,
Porque,
Fervilham no meu peito orquídeas vermelhas
Longe das rosas com espinhos que tanto adoro.

Sunday, August 23, 2009

TEU AMOR E PAIXÃO...


Teu amor e paixão
Está no meu coração
Numa somente afloração.

Num desejo em sonho
Num sentimento explosivo
Numa carência de carinho
Num sentir adorativo.

Um amor, uma flor
Uma paixão, uma explosão
Um caminho aberto mas em vão.

Um amor perdido, uma desilusão
Eu esperei pelo incógnito
Por aquela paixão...

Sedante de amor,
Encurralada semente
Aqui dentro.
Obstruída obsessão de amar
Neste mundo livremente.

Asas quebradas em terreno sombrio
Onde já não se escuta o assobio.
Folhas perdidas voando soltas
Levando consigo uma historia de amor das mais belas.

Sobrevivem lágrimas lapidadas de dor
Saudade transida de transe incolor.
Eloquente ocorrido num simples sopro
Da partida ao encontro.

Monday, August 3, 2009

DOCE UTOPIA DO VERSEJAR ( Dueto) Alcina/Ibernise

Escuta, observa, sente, na distância, que lindo está o horizonte!
Ouves o chilrear dos pássaros?
Eu penso que serão...
Poetas a cantarolar, mística poesia, para animar nosso lugar.

Vês aquelas borboletas livres a esvoaçar?
Eu julgo que são...
Disfarçados anjos em diversos mantos,
Diversificando suas vestimentas, mas que tudo é um só.

Sentes o perfume do vale vermelho?
Eu sinto...
Papoilas a dançar misticamente,
Largando sem pudor sua modesta fragrância.

Observa agora o azul do céu e do mar,
Distingues o princípio e o fim de um e de outro?
Eu vejo...
Um só, unificado significando ribalta de paz.

Sabes que mais vejo neste remoto horizonte?
Sinto algo...
Um existente, sexto sentido, ouço e vejo as mil cores do teu sorriso, cascalhar...
Será tudo minha visão, uma utopia, o meu sonhar?

Utopia? O sentir do poeta com seu verbo pintar
Uma tela na composição do que pensa ser...
Do que julga que é...
Do que sente e ver...

No todo do mundo a realçar, o belo da rotina
O extraordinário que salta a sua retina
Que se coloca a mapear o seu mundo e o do outro
Num resultado que só na arte salta ao olhar...

E se sonha alto e faz a alma brilhar
Põe maior realidade nos seus versos
Onde viu e sentiu a natureza, de si, se aproximar
E viveu aquele encontro indefinido entre o céu e o mar...

Símile do conflito da alma no dualismo a pairar
Entre tantos entes habitantes de terra, céu e mar
Anjos a cuidar de aves, flores, terra... Natureza e lugar.
Tudo num sorriso... Seria isto a utopia de cada versejar.


Alcina
USA (29.07.2009
Ibernise
Indiara (Goiás/Brasil) 31.07.2009

PECADOS

Inocência perdida,
Pecado mortal
Virgindade corrompida num estado comercial

Gula cometida
Pelos encantos d’ árvore do prazer,
Fruto proibido, comido com lazer.

Vaidade entranhada no ser
Cintilando os relâmpagos em todos os cantos
O alheio, são simplesmente vultos sem focos.

Ira violenta
Não pões traves à fúria existente,
Ferve em ti o desejo mesquinho de estar sempre na certa.

Avareza egoísta
Escondes a realidade já contada,
Cada grão de milho à muito que foi cifrada.

Luxúria obra material
Estátua carnal, ornamental,
Explorada libido num campo virginal.

Preguiça em corpo pesado
Arranca todo alvorece
Mirando o trabalho inacabado

Inveja tremenda cegueira
Inseguridade penetrada na algibeira
Só vê nos outros o que não tem

To a Special LADY (Ibernise)

Happy Birthday Dear Ibernise


Tua doçura é uma autêntica loucura
Quem dela prova se adicta em tua dita.
Poderosa é a tua palavra
Porque és uma LADY prefeita.

Teu coração faz trasbordar infinitas margens
Com água pura e belas imagens,
Recolhes as tempestades com astúcia
Amenas as tristezas à altura duma LADY, numa eficaz perícia.

Onde quer que passes deixas rasto,
És uma estrela cadente, cintilante
Uma verdadeira LADY eloquente.

Tua essência são pétalas de paz esvoaçando na brisa do vento.
Ter tua amizade é algo como possuir o mais valioso tesouro.
Por isso te digo és uma LADY que vale ouro.